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Alienados pelo que não faz sentido

Hoje, no meio da cidade, rodeada de confusão, transportes, lojas, objetos, pessoas objetificadas e tudo mais, dei por mim a tentar descobrir a personalidade de cada pessoa e os seus valores.
Até acho que este exercício, na cidade, é muito mais fácil! As pessoas nem pensam, correm de um lado para o outro e são levadas pela corrente da moda, o que faz com sejam, em geral, muito parecidas. Facilmente são influenciadas e influenciam, passam de seres que trabalham e ganham dinheiro a mercadoria que é paga por outros.
Como é que não nos contentamos com o que temos?
Será assim tão necessário objetificar tudo o que temos à nossa volta?
Alirnarmo-nos da essência do Homem?
Transformar tudo em mercadoria...
Quando é que foi a última vez que foste sem dinheiro algum, fazer alguma coisa que realmente gostavas, ou ter nas tuas mãos algo que é importante para ti, sem mexer em dinheiro?
Gosto de manter as minhas crenças e os meu valores, e pensar que o mundo onde vivo não se move com o dinheiro, mas sim com a lei da atração. Isto significa que não ficamos alienados da Natureza, simplesmente unimos forças para atrair o que queremos até nós.
Para isso, é necessário enriquecer a nossa vida interior e desvalorizar um pouco, o tal mundo dos objetos, que o Homem valoriza cada vez mais, que contamina, completamente, os nossos objetivos, a nossa essência.
Nos dias de hoje é muito mais difícil ser feliz com dinheiro do que sem dinheiro.
(sim, parece que não faz qualquer sentido)
Mas a verdade é que por dinheiro o Homem faz coisas impensáveis, perde o respeito por si e pelos Outros, perde-se no mundo, sem chegar a sentir a verdadeira felicidade.

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